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Índio tem mãos decepadas em ataque a comunidade no Maranhão, diz entidade

botucatublogger | 19:15 | 0 comentários

Região está localizada a 220 km de São Luís. Índios e fazendeiros entraram em confronto em disputa territorial.


Por G 1

Um grupo de fazendeiros atacou uma comunidade indígena da cidade de Viana (MA), localizada a 220 km de São Luís, nesse domingo (30), para travar uma disputa territorial, de acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). A entidade informou que 13 pessoas ficaram feridas, sendo que dois índos tiveram as mãos decepadas.

Segundo a Pastoral da Terra, os índios, do povo Gamela, foram pegos de surpresa com a chegada de dezenas de homens à área. O grupo chegou com armas de fogo, pedaços de pau e facões. “Eles invadiram e já foram atirando e tentando cercar a gente. Circularam para ficarmos no meio. Foi aí que só senti o impacto”, relata um sobrevivente.

O Ministério da Justiça divulgou duas notas na tarde desta segunda. No texto mais recente, a pasta informou que "está averigando o conflito agrário no povoado de Bahias". Mais cedo, o órgão havia divulgado outro documento dizendo que o caso estava envolvendo "pequenos agricultores e supostos indígenas" (leia as duas notas oficiais abaixo). O ministro Osmar Serraglio enviou uma equipe da Polícia Federal para evitar novos conflitos.

Até as 16h desta segunda-feira (1º), as Secretarias de Estado da Segurança Pública e da Saúde do Maranhão não haviam confirmado o número de vítimas. De acordo com o Cimi, cinco feridos foram transferidos durante a madrugada desta segunda para o Hospital Socorrão II, na capital maranhense - dois índios estão em estado mais grave e todos têm ferimentos causados por armas de fogo. Um dos índios levou um tiro no peito e teve as duas mãos decepadas; outro deles, além das mãos, teve os "joelhos cortados nas articulações", ainda de acordo com o conselho indigenista.

"Estou aqui com os dois indígenas que receberam alta. Eles estão bem, precisam descansar e um pouco mais de acompanhamento. Mas seguem internados três dos indígenas que foram atacados brutalmente. Dois deles inclusive tiveram as mãos decepadas e têm ferimentos nos joelhos, têm vários cortes de facão pela cabeça, pelo corpo, além de ferimentos à bala", disse Rosimeire Diniz, coordenadora da regional Maranhão do Cimi.

Ataque aconteceu em povoado no municipio de Viana, a 220 km de São Luís.  (Foto: Reprodução/TV Globo)
Ataque aconteceu em povoado no municipio de Viana, a 220 km de São Luís. (Foto: Reprodução/TV Globo)

O Cimi também informou que os índios com ferimentos mais leves tiveram alta na manhã desta segunda. Outros dois continuam internados após intervenções cirúrgicas e seguem em estado grave no hospital.

Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que já instaurou inquérito para investigar o caso, enviou reforço policial para a região e que o conflito já foi contido.

Disputa por terra

De acordo com Rosimeire, o território está em embate para devolução aos índios do povo Gamela há pelo menos três anos.

"O povo Gamela está em luto pelo território há pelo menos três a quatro anos. Quem tem responsabilidade de fazer essa regularização fundiária é a Funai. A Funai até agora só ficou na primeira fase de identificação e nunca mais seguiu com o processo. Então, cansados de esperar por essa resolução do estado, que tem a responsabilidade legal de fazer isso, os índios empreenderam ações de retomada do território tradicional", disse.

Após essa espera sem garantia legal do território, Rosimeire disse que há algum tempo os índios retomaram a região, tradicional do povo Gamela. Segundo ela, "em defesa da propriedade", uma reunião com presença de fazendeiros, pequenos produtores e da Assembleia de Deus teria sido convocada na sexta-feira (28), com participação de cerca de 200 pessoas.

"Havia no dia interior [sexta] uma entrevista, uma convocação, na rádio Maracu, de Viana, convocando as pessoas ditas de bem para uma reunião na mesma sexta-feira para o povoado de Santeiro. Então, essas pessoas foram para essa reunião, elas comeram, foram embriagadas, e depois foram incentivadas por um ódio tremendo para atacar os indígenas", contou.

"Essas pessoas são pequenos proprietários, fazendeiros, integrantes da Igreja Assembleia de Deus, e foram convocando gente do povoado de Santeiro e da região para defender a propriedade", completou. O povoado de Santeiro também está localizado na cidade de Viana.

De acordo com o Censo 2010, do IBGE, o Maranhão tinha 38.831 índios, sendo que 76,3% estavam em terras indígenas. Entretanto, 9.210 estavam fora desses territórios, vivendo em cidades ou áreas não demarcadas.

Ao G1, o presidente da Funai, Antônio Costa, disse que o órgão já foi notificado sobre o ataque aos indígenas Gamela e que, a partir desta terça (2), a Procuradoria da fundação será acionada para acompanhar as investigações.

“Não é o primeiro ataque que o povo Gamela sofre. Os ânimos podem se acirrar mais ainda na região. O que a gente sabe é que foi um ataque por fazendeiros e uma milícia armada. Esse tipo de ataque já ocorreu várias vezes. Não temos nomes. Como estamos na fase de investigação, prefiro não citar [nomes de suspeitos]”, afirmou Costa. Segundo ele, é possível que haja mais índios feridos que podem ter fugido pelo mato.

Sobre a questão da demarcação indígena, o órgão precisa analisar melhor o caso para se posicionar.

Leia as duas notas do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgadas sobre o caso:
Mais recente:

Brasília, 1/5/17 - O Ministério da Justiça e Segurança Pública está averiguando o conflito agrário no povoado de Bahias, no Maranhão. Por determinação do ministro Osmar Serraglio, a Polícia Federal já enviou uma equipe para o local para evitar mais conflitos e ofereceu apoio à Secretaria de Segurança Pública que, por sua vez, já instaurou inquérito para investigar o caso.

Texto divulgado mais cedo:

"Brasília, 1/5/17 - O Ministério da Justiça e Segurança Pública está averiguando o ocorrido envolvendo pequenos agricultores e supostos indígenas no povoado de Bahias, no Maranhão. Por determinação do ministro Osmar Serraglio, a Polícia Federal já enviou uma equipe para o local para evitar mais conflitos e ofereceu apoio à Secretaria de Segurança Pública que, por sua vez, já instaurou inquérito para investigar o caso."

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