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Estupro coletivo: "Quando acordei tinham 33 caras em cima de mim. Só quero ir para casa".

botucatublogger | 20:20 | 0 comentários



Uma jovem de 16 anos que teria sido vítima de um estupro coletivo prestou depoimento, na manhã desta quinta (26), na Delegacia de Repressão à Crimes de Informática), da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Os policiais investigam a informação de que a adolescente teria sido estuprada por 30 homens no morro da Barão, em Jacarepaguá, na zona oeste da capital. 

Após o depoimento, a adolescente passou por exames em um hospital público, onde recebeu um coquetel de medicamentos para prevenir doenças sexualmente transmissíveis. 

Ao jornal "O Globo", ela disse: "Quando acordei tinham 33 caras em cima de mim. Só quero ir para casa". 

Nas redes sociais, circula um vídeo de menos de um minuto em que a vítima aparece nua, ferida e desacordada. Na gravação, um grupo de homens, em meio a risadas, diz que ela foi violentada por "mais de 30". 

"Essa daqui é a famosa 'come rato' da Barão", diz um homem no vídeo, enquanto grava a menina inconsciente. "Mais de 30 engravidou [sic]", diz outro homem, rindo. Ao menos três vozes masculinas podem ser ouvidas na gravação, debochando do estupro cometido. 

VÍDEO 

Além do vídeo, também foram colocadas na internet fotos dos órgãos sexuais da jovem, com ferimentos visíveis. "Amassaram a mina, intendeu ou não intendeu (sic)? kkk", escreveu no Twitter um homem, numa postagem com foto da vítima. 

Segundo a polícia, o vídeo foi gravado na noite do último sábado (21). A jovem estava desaparecida, mas foi encontrada por um agente comunitário e levada para casa nesta quarta (25). 

À rádio CBN, a avó da adolescente disse que ela costuma sair de casa e ir para comunidades desde os 13 anos. Disse ainda que ela é usuária de drogas há quatro anos e tem um filho de três anos. 

Policiais já identificaram três homens que teriam participado do caso. Um deles seria morador da favela de Cidade de Deus e outro do bairro de Santa Cruz, ambos na zona oeste da cidade. O terceiro identificado teria sido responsável por postar o vídeo na rede social. 

Responsável pelo caso, o delegado Alessandro Thies pediu que aqueles que tiverem qualquer informação que possa auxiliar na identificação dos autores entrem em contato pelo e-mail alessandrothiers@pcivil.rj.gov.br 

REAÇÃO NAS REDES 

O crime causou forte reação nas redes sociais. Internautas manifestaram indignação, prestaram solidariedade à vítima e se mobilizaram para denunciar os suspeitos do estupro, replicando suas postagens e levantando informações sobre eles. 

A expressão "estupro coletivo" passou a figurar entre as mais buscadas no Facebook; mais de 35 mil usuários a usaram em postagens nas quais comentavam o crime. Eventos de protesto foram marcados para diferentes cidades do país. 

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Municipal do Rio soltou uma nota exigindo rapidez na apuração do crime. 

"Trata-se de um ato de barbárie e covardia. A agressão a esta jovem é também uma agressão a todas as mulheres. Estamos assistindo crescente desumanização e desrespeito ao outro. As maiores vítimas têm sido as mulheres. Nossa solidariedade à jovem violentada, à sua família e à todas as mulheres", disse o texto.

 "Chorei quando vi o vídeo", diz avó de garota

Eram 15h de quarta-feira (25) quando a família de C.P., 16 anos, recebeu o telefonema de um vizinho relatando que a adolescente havia sido estuprada no morro da Barão, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio. Segundo ele, o crime estava registrado em um vídeo numa rede social. 

Os parentes da adolescente foram para a frente do computador e viram a cena -de cerca de 40 segundos- que deu início à uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual. 

Mãe de um menino de três anos, a jovem estava deitada numa cama, seminua, e observada por um grupo de pessoas. A suspeita é que 33 homens tenham violentado a adolescente. 

"Chorei quando vi o vídeo. Choramos todos. Me arrependi de ter visto. Quando ouvimos a história, não acreditávamos no que estava acontecendo. É uma aflição muito grande. É uma situação deprimente", disse a avó materna da adolescente, que pediu para não ser identificada. 

VOLTOU PARA CASA 

Ela contou que a adolescente saiu de casa na sexta (20) dizendo que ia visitar amigas no morro da Barão. Só voltou na tarde de terça (24). Vestia roupas de homem e estava sem o telefone celular. Após uma noite de sono, acordou na quarta (25) dizendo que iria buscar o aparelho na favela. 

"Depois que vimos o vídeo, o assunto começou a se espalhar e, horas depois, ela retornou à casa levada por um agente comunitário do morro", disse a avó. 

A jovem prestou depoimento na delegacia durante a madrugada desta quinta (26). Depois, foi encaminhada a um hospital onde recebeu um coquetel de medicamentos para evitar doenças sexualmente transmissíveis. 

Desde então, a adolescente está em casa com os pais e a avó materna. "Ela não está bem. Está muito confusa. A coisa foi muito séria."

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